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Queridas leitoras
Quão irritante a cobrança do mundo em geral, para se estar bem, ser agradável, simpática, boa aparência, quando por dentro se esta erguendo de um vendaval que passou. E cobram para não passar a ninguém nossa tristeza, e se estamos mal, o mundo manda que recuperemos rápido, bem rápido... Até parece que tristeza é doença contagiosa, que estar num momento de introspecção é sinônimo de orgulho ou que ficar quieta é porque se está com depressão. Esse ano se foram; minha mãe Glacy, e uma amiga Ivonete, que também fazia parte do meu acervo de pessoas preciosas para mim. Ivonete era casada com meu médico de anos, que transtornado de tristeza, não me deu mais notícias. Tive também uma grande decepção com alguém que eu considerava que, se tornou inimigo de uma certa forma foi mais uma morte, morte de um afeto.

Por onde tenho ido, salão, banco, padaria, restaurante, etc..., sou inquirida, perguntada sobre meu silêncio, sobre minha "tristeza". Pior que todos sabem dos fatos que vivi, pura maldade ou especulação para acelerar meu retorno ao bom humor, rápido,rápido,rápido.
Na semana seguinte que minha mãe e minha amiga foram enterradas, comecei a me sentir doente, então procurei ajuda profissional para entender meus sintomas. Feitos os exames, o médico me comunicou, que eu não estava doente, mas vivenciando o luto dessas perdas! Como tudo na vida tem seu tempo, o luto também o tem. Tempo para se recompor a vida, para se preencher o vazio dessas pessoas que foram, a aceitação da morte irreversível. Aceitação de saber: quando um homem é mau carater, se faz necessário morrer, qualquer afeto e contato com.
Meu tempo não é o tempo do mundo, do aqui e agora, rápido,rápido,rápido, meu tempo é particular, meu tempo é único. Porque para sair do luto, sem sequelas, não posso queimar as etapas, o ciclo tem que se fechar, para renascer das cinzas como uma Fênix.
Obrigada.
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